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🧫 Doenças Renais em Pequenos Animais: Como a Bioquímica e a Urinálise Revelam o que o Corpo Esconde

Interprete ureia, creatinina, SDMA e urinálise com mais segurança e precisão clínica

Introdução

A insuficiência renal é uma das condições mais comuns e desafiadoras na clínica de pequenos animais.

Muitas vezes silenciosa em seus estágios iniciais, ela só se manifesta quando o dano já compromete a função de boa parte dos néfrons.


Por isso, é essencial que o veterinário domine a interpretação dos principais exames bioquímicos e urinários.

Uma leitura precisa pode permitir diagnóstico precoce, monitoramento eficiente e melhor orientação terapêutica.

🧬 Por que a função renal deve ser avaliada de forma integrada?

Os rins desempenham funções vitais:

  • Filtração de toxinas e metabólitos

  • Regulação da pressão arterial e equilíbrio hídrico

  • Produção de hormônios (como eritropoetina)

  • Controle ácido-base e eletrolítico

Uma falha renal pode impactar todo o organismo. Por isso, os marcadores laboratoriais devem ser avaliados em conjunto com o histórico, sinais clínicos e imagem diagnóstica.

🧪 Exames bioquímicos essenciais na avaliação renal

✅ Ureia

  • Formada no fígado a partir da degradação de proteínas e eliminada pelos rins

  • Aumento (uremia): pode indicar disfunção renal, desidratação, choque, hemorragia gastrointestinal, febre, uso de corticoides

  • Redução: insuficiência hepática ou dieta pobre em proteínas

A ureia é influenciada por múltiplos fatores e deve ser avaliada em conjunto com a creatinina e a urinálise.



✅ Creatinina

  • Derivada do metabolismo muscular, é eliminada exclusivamente pelos rins

  • Aumento: indica queda da taxa de filtração glomerular (TFG), especialmente quando os níveis ultrapassam os valores de referência

  • Redução: associada à perda de massa muscular, super-hidratação, gestação ou shunt porto-sistêmico

📌 A creatinina é considerada mais específica que a ureia para avaliação renal — mas pouco sensível nos estágios iniciais da doença.



✅ SDMA (Simétrica Dimetilarginina)

  • Biomarcador precoce da função renal, que se eleva com apenas 25% de perda funcional

  • Mais sensível e específico que a creatinina

  • Não é influenciado pela massa muscular

  • Indicado para monitoramento da DRC e detecção precoce de lesões renais

💡 Ideal para pacientes com risco renal, como idosos, animais sob tratamento com medicamentos nefrotóxicos ou em quadros infecciosos.



✅ Urinálise: o exame mais negligenciado e um dos mais reveladores

A urinálise permite avaliar:

  • Densidade urinária

  • pH e presença de proteínas, glicose, cetonas, bilirrubina

  • Sedimento urinário (células, cristais, cilindros, bactérias)

  • Cor, odor e aspecto físico da urina


É essencial para identificar:

  • Perda de capacidade de concentração

  • Proteinúria

  • Inflamação do trato urinário

  • Infecções, cálculos e neoplasias

📌 A coleta ideal deve ser feita por cistocentese, para garantir esterilidade e precisão do resultado.


✅ Azotemia: pré-renal, renal ou pós-renal?

Com base em ureia e creatinina, é possível diferenciar o tipo de alteração:

  • Azotemia pré-renal: queda na perfusão renal (ex: desidratação, choque, insuficiência cardíaca)

  • Azotemia renal: perda estrutural e funcional dos néfrons (ex: nefrite, intoxicação, DRC)

  • Azotemia pós-renal: obstruções ou rupturas no trato urinário (ex: urolitíase, neoplasia)

💡 A densidade urinária e o histórico clínico ajudam a diferenciar essas condições.

🐾 Exemplo clínico resumido: diagnóstico precoce de DRC

Gato idoso, 13 anos, com histórico de hiporexia e perda de peso. Exames revelam:

  • Creatinina dentro do limite superior da referência

  • Ureia discretamente aumentada

  • SDMA elevado

  • Densidade urinária baixa (1.018)

  • Proteinúria discreta

Interpretação: Doença renal crônica em estágio inicial, ainda sem sinais clínicos evidentes, mas com função renal comprometida. O início precoce da dieta renal e suporte terapêutico pode prolongar a qualidade de vida do paciente.

✅ Benefícios de dominar a interpretação dos exames renais

  • Diagnóstico precoce de disfunções que ainda não se manifestaram clinicamente

  • Tomada de decisão baseada em evidência e não apenas em sintomas

  • Melhor acompanhamento de casos crônicos e evolução terapêutica

  • Redução de erros diagnósticos e uso desnecessário de antibióticos ou fluidoterapia

Conclusão

A avaliação da função renal vai muito além da creatinina. Quando combinamos ureia, SDMA, urinálise e contexto clínico, temos um cenário claro para identificar, monitorar e tratar precocemente as doenças renais — oferecendo mais qualidade de vida aos animais e mais segurança ao profissional veterinário.


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