top of page

Ozônio por bagging: uma alternativa promissora para feridas crônicas em equinos?

Feridas em extremidades distais de cavalos são, sem dúvida, um dos maiores desafios da rotina clínica. Quem atende equinos sabe: muitas vezes são lesões que persistem por semanas ou meses, mesmo com manejo adequado, antibióticos e curativos.


Mas e quando nada disso funciona?


Um estudo recente trouxe uma abordagem interessante — e bastante prática — utilizando ozonioterapia tópica pela técnica de bagging em feridas crônicas que já haviam falhado ao tratamento convencional.


E os resultados chamam atenção.

O que esse estudo se propôs a investigar?

Os autores avaliaram se o uso repetido de ozônio tópico poderia melhorar a cicatrização de feridas crônicas em membros distais de equinos — especialmente aquelas que já estavam “estagnadas”.

Ou seja: casos reais, difíceis, que não estavam evoluindo.

Quem foram os pacientes?

Foram incluídos:

  • 8 cavalos adultos

  • Com 9 feridas crônicas no total

  • Lesões com mais de 30 dias de evolução

  • Sem resposta a tratamentos prévios (por até 7 meses)


Esses animais já haviam passado por:

  • Antibióticos tópicos e sistêmicos

  • Anti-inflamatórios

  • Curativos e debridamentos


E, ainda assim, sem melhora significativa.

Ou seja: cenário clínico clássico de frustração.

 Como funciona o bagging com ozônio?

A técnica de bagging é relativamente simples e, ao mesmo tempo, bastante inteligente.

Basicamente:

  • O membro afetado é envolvido em um saco plástico resistente ao ozônio

  • O sistema é vedado

  • O ar é retirado

  • E o ozônio é insuflado dentro desse ambiente fechado

Isso permite uma exposição direta e controlada da lesão ao gás.

Protocolo utilizado no estudo

Os autores padronizaram o seguinte protocolo:

  • Concentração: 50 µg/mL

  • Tempo de aplicação: 30 minutos

  • Frequência: a cada 48 horas

  • Duração: até cicatrização completa


Após cada sessão:

  • Remoção do ozônio residual

  • Curativo estéril com leve compressão

  • Lavagem apenas com solução salina (sem outras terapias associadas)

 Esse ponto é importante: o efeito observado foi praticamente isolado da ozonioterapia. 

E os resultados?

Aqui está o ponto mais interessante.

Todos os animais apresentaram cicatrização completa das lesões.

  • Tempo mínimo: 27 dias

  • Tempo máximo: 91 dias

  • Mediana: 66 dias


Além disso:

  • Houve aceleração da cicatrização após a 4ª semana

  • Parte dos animais apresentou repigmentação da pele e crescimento de pelos

  • A maioria teve mínima formação de cicatriz


Do ponto de vista estatístico, a melhora ao longo do tempo foi altamente significativa. 

O que pode explicar esses resultados?

O ozônio tem alguns efeitos biológicos bem interessantes, que ajudam a entender esses achados:

  • Ação antimicrobiana

  • Melhora da oxigenação tecidual

  • Estímulo à angiogênese

  • Ativação de fibroblastos

  • Modulação do estresse oxidativo


Além disso, há evidências de aumento de mediadores importantes da cicatrização, como:

  • TGF-β

  • VEGF

 Ou seja: não é só “limpar a ferida” — é estimular ativamente o reparo.

Foi só o curativo que ajudou?

Uma dúvida justa.

Os animais receberam curativo compressivo após cada sessão — e isso, sim, ajuda no controle de contaminação e na prevenção de tecido de granulação exuberante.


Mas aqui entra um detalhe importante:

Esses mesmos animais já tinham falhado previamente com tratamentos convencionais, que normalmente incluem curativos.

Isso sugere que o diferencial, de fato, pode estar na ozonioterapia.

O que levamos para a prática?

Esse estudo traz uma mensagem muito interessante para quem trabalha com medicina integrativa:

 A ozonioterapia por bagging pode ser uma ferramenta útil em casos difíceis, especialmente:

  • Feridas crônicas

  • Lesões refratárias

  • Situações em que o tratamento convencional falhou


Além disso, é uma técnica:

  • Relativamente simples

  • De baixo custo operacional (após aquisição do equipamento)

  • Reprodutível na prática clínica

 Conclusão

A ozonioterapia tópica por bagging mostrou resultados promissores na cicatrização de feridas crônicas em equinos — especialmente em casos onde outras abordagens não foram suficientes.

Quer dominar técnicas integrativas que realmente fazem diferença em casos clínicos desafiadores?


Conheça os cursos da Areã Vet Academy e amplie seu repertório terapêutico com abordagens eficazes e aplicáveis na prática:

Referência

Repciuc, C.C.; Oros, N.-V.; Mureșan, Ș.M.C.; Sevastre, B.; Joaquim, J.G.F.; Oana, L.-I. Efficacy of Ozone Bagging Therapy in Equine Chronic Distal Limb Wounds: Clinical Evaluation of Eight Cases. Vet. Sci. 2026, 13, 16. https://doi.org/10.3390/vetsci13010016

Comentários


bottom of page