Laserterapia como terapia adjuvante na flebite induzida por quimioterapia em cães: relato de caso
- Inaê Regatieri
- 20 de mar.
- 3 min de leitura
A quimioterapia é uma aliada indispensável na oncologia veterinária. Porém, mesmo com protocolos bem estabelecidos, alguns efeitos adversos podem surgir de forma inesperada e impactar diretamente o bem-estar do paciente e a continuidade do tratamento.
Um artigo publicado na Frontiers in Veterinary Science descreveu um caso raro de flebite induzida por quimioterapia em um cão, tratado com abordagem multimodal, com destaque para a laserterapia de baixa intensidade (LLLT) como terapia complementar.
O que é flebite e por que isso importa?
A flebite é a inflamação da parede da veia. Em pacientes oncológicos, ela pode ser desencadeada por diferentes fatores, como:
trauma do cateter
infecção
reação química (medicação)
Quando ocorre após quimioterapia, o quadro pode ser muito doloroso e causar:
edema local
calor
dor à palpação
claudicação
recusa alimentar e apatia (por dor)
Ou seja: não é apenas um “problema do acesso” — é uma condição inflamatória real, que precisa de diagnóstico e tratamento.
O caso clínico descrito no artigo
O paciente foi um Golden Retriever macho castrado, 7 anos, com diagnóstico de osteossarcoma em rádio esquerdo.
Após amputação, iniciou quimioterapia adjuvante alternando:
carboplatina
doxorrubicina
Após aplicação de doxorrubicina pela veia cefálica direita, o cão apresentou sinais agudos compatíveis com flebite:
dor intensa no membro
edema
calor local
claudicação importante
depressão e anorexia
Diagnóstico: o ultrassom foi decisivo
Apesar do quadro clínico evidente, os exames laboratoriais (inclusive PCR e dímero-D) estavam normais.
O diagnóstico foi confirmado por ultrassonografia vascular, que mostrou:
espessamento da parede venosa
edema perivascular
trombos intraluminais
redução/ausência de fluxo em porções distais
O papel da laserterapia no tratamento do caso
O tratamento foi multimodal (como deve ser), incluindo medicações anti-inflamatórias e suporte vascular.
Mas um diferencial interessante do caso foi a inclusão de Laserterapia de baixa intensidade (LLLT)
O laser foi utilizado como terapia adjuvante, com aplicações 3 vezes por semana, utilizando equipamento MLS.
O objetivo principal foi:
modular a inflamação local
reduzir dor
favorecer recuperação tecidual e vascular
auxiliar na reabsorção de edema
Por que isso é relevante para a medicina integrativa?
Na rotina clínica, especialmente em oncologia, muitos pacientes:
já estão debilitados
têm baixa tolerância à dor
precisam manter o protocolo quimioterápico sem interrupções
Nesse contexto, a laserterapia pode ser um recurso valioso porque:
não é uma técnica invasiva
é bem tolerada
tem potencial anti-inflamatório e analgésico
pode ser aplicada em ambiente ambulatorial
E mais: ela se encaixa perfeitamente na lógica integrativa, onde o foco é controle de efeitos adversos e qualidade de vida.
Um achado importante: a flebite voltou em outros locais
Mesmo mudando o acesso venoso, o cão apresentou flebite posteriormente em outras veias:
veia dorsal digital (membro pélvico direito)
veia safena esquerda
Isso sugere que alguns pacientes podem ter:
predisposição individual
resposta inflamatória vascular mais intensa
maior sensibilidade a determinados quimioterápicos
O que esse caso muda na prática?
Esse relato reforça 4 pontos extremamente aplicáveis:
1) Flebite pós-quimioterapia existe (e pode ser intensa)
Não deve ser tratada como “normal” ou “esperada”.
2) Ultrassom deve ser considerado precocemente
Principalmente se houver dor intensa e edema.
3) Laserterapia pode ser uma aliada adjuvante
Especialmente para controle de dor e inflamação local.
4) Manejo multimodal é essencial
O caso usou:
corticoide
suporte vascular
antiagregante
antibiótico
laserterapia
Ou seja: abordagem completa e realista.
Conclusão
Este trabalho descreve um caso raro e relevante: flebite induzida por quimioterapia em um cão, confirmada por ultrassom e tratada com sucesso dentro de uma abordagem multimodal — com destaque para o uso contínuo de laserterapia como terapia adjuvante .
Para o clínico veterinário, a principal mensagem é:Dor e edema após quimioterapia precisam ser investigados, e o laser pode ser uma ferramenta integrativa útil no suporte ao paciente oncológico.
Se você deseja aprofundar seu conhecimento sobre abordagens terapêuticas que ampliam as possibilidades de tratamento na prática clínica, continue acompanhando os conteúdos do blog da Areã Vet Academy.
Aqui compartilhamos estudos, evidências científicas e discussões clínicas que ajudam o médico-veterinário a expandir seu raciocínio terapêutico dentro da medicina veterinária integrativa.
Se quiser se aprofundar ainda mais, conheça também os cursos de formação da Areã Vet Academy em medicina veterinária integrativa.
Acesse:
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
HWANG, Seoyoung; HONG, Heejeong; JUNG, Joohyun. Case Report: Chemotherapy-induced phlebitis in a dog: diagnostic approach and management strategies. Frontiers in Veterinary Science, v. 12, p. 1628931, 2025.

Comentários