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Laserterapia como terapia adjuvante na flebite induzida por quimioterapia em cães: relato de caso

A quimioterapia é uma aliada indispensável na oncologia veterinária. Porém, mesmo com protocolos bem estabelecidos, alguns efeitos adversos podem surgir de forma inesperada e impactar diretamente o bem-estar do paciente e a continuidade do tratamento.


Um artigo publicado na Frontiers in Veterinary Science descreveu um caso raro de flebite induzida por quimioterapia em um cão, tratado com abordagem multimodal, com destaque para a laserterapia de baixa intensidade (LLLT) como terapia complementar.

 

O que é flebite e por que isso importa?

A flebite é a inflamação da parede da veia. Em pacientes oncológicos, ela pode ser desencadeada por diferentes fatores, como:

  • trauma do cateter

  • infecção

  • reação química (medicação)


Quando ocorre após quimioterapia, o quadro pode ser muito doloroso e causar:

  • edema local

  • calor

  • dor à palpação

  • claudicação

  • recusa alimentar e apatia (por dor)


Ou seja: não é apenas um “problema do acesso” — é uma condição inflamatória real, que precisa de diagnóstico e tratamento.

 


O caso clínico descrito no artigo

O paciente foi um Golden Retriever macho castrado, 7 anos, com diagnóstico de osteossarcoma em rádio esquerdo.

Após amputação, iniciou quimioterapia adjuvante alternando:

  • carboplatina

  • doxorrubicina


Após aplicação de doxorrubicina pela veia cefálica direita, o cão apresentou sinais agudos compatíveis com flebite:

  • dor intensa no membro

  • edema

  • calor local

  • claudicação importante

  • depressão e anorexia

 


Diagnóstico: o ultrassom foi decisivo

Apesar do quadro clínico evidente, os exames laboratoriais (inclusive PCR e dímero-D) estavam normais.

O diagnóstico foi confirmado por ultrassonografia vascular, que mostrou:

  • espessamento da parede venosa

  • edema perivascular

  • trombos intraluminais

  • redução/ausência de fluxo em porções distais


 

O papel da laserterapia no tratamento do caso

O tratamento foi multimodal (como deve ser), incluindo medicações anti-inflamatórias e suporte vascular.

Mas um diferencial interessante do caso foi a inclusão de Laserterapia de baixa intensidade (LLLT)

O laser foi utilizado como terapia adjuvante, com aplicações 3 vezes por semana, utilizando equipamento MLS.


O objetivo principal foi:

  • modular a inflamação local

  • reduzir dor

  • favorecer recuperação tecidual e vascular

  • auxiliar na reabsorção de edema

 


Por que isso é relevante para a medicina integrativa?

Na rotina clínica, especialmente em oncologia, muitos pacientes:

  • já estão debilitados

  • têm baixa tolerância à dor

  • precisam manter o protocolo quimioterápico sem interrupções


Nesse contexto, a laserterapia pode ser um recurso valioso porque:

  • não é uma técnica invasiva

  • é bem tolerada

  • tem potencial anti-inflamatório e analgésico

  • pode ser aplicada em ambiente ambulatorial


E mais: ela se encaixa perfeitamente na lógica integrativa, onde o foco é controle de efeitos adversos e qualidade de vida.

 


Um achado importante: a flebite voltou em outros locais

Mesmo mudando o acesso venoso, o cão apresentou flebite posteriormente em outras veias:

  • veia dorsal digital (membro pélvico direito)

  • veia safena esquerda


Isso sugere que alguns pacientes podem ter:

  • predisposição individual

  • resposta inflamatória vascular mais intensa

  • maior sensibilidade a determinados quimioterápicos



O que esse caso muda na prática?


Esse relato reforça 4 pontos extremamente aplicáveis:

1) Flebite pós-quimioterapia existe (e pode ser intensa)

Não deve ser tratada como “normal” ou “esperada”.


2) Ultrassom deve ser considerado precocemente

Principalmente se houver dor intensa e edema.


3) Laserterapia pode ser uma aliada adjuvante

Especialmente para controle de dor e inflamação local.


4) Manejo multimodal é essencial


O caso usou:

  • corticoide

  • suporte vascular

  • antiagregante

  • antibiótico

  • laserterapia

Ou seja: abordagem completa e realista.

 

 

Conclusão

Este trabalho descreve um caso raro e relevante: flebite induzida por quimioterapia em um cão, confirmada por ultrassom e tratada com sucesso dentro de uma abordagem multimodal — com destaque para o uso contínuo de laserterapia como terapia adjuvante .

Para o clínico veterinário, a principal mensagem é:Dor e edema após quimioterapia precisam ser investigados, e o laser pode ser uma ferramenta integrativa útil no suporte ao paciente oncológico.

 


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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

HWANG, Seoyoung; HONG, Heejeong; JUNG, Joohyun. Case Report: Chemotherapy-induced phlebitis in a dog: diagnostic approach and management strategies. Frontiers in Veterinary Science, v. 12, p. 1628931, 2025.

 

 

 

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