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Canabidiol (CBD) em cães e gatos: o que a ciência realmente valida?


O uso de canabidiol (CBD) em pets deixou de ser “tendência” e virou realidade clínica. Hoje, muitos tutores já oferecem produtos à base de CBD para cães e gatos, principalmente com a intenção de ajudar em casos de dor, ansiedade, epilepsia e até câncer.


Mas, com o crescimento desse mercado, surge uma pergunta essencial: o que já foi validado cientificamente — e o que ainda é promessa?


Um artigo de revisão recente reuniu as evidências disponíveis sobre o uso do CBD em cães e gatos, com foco em segurança, farmacocinética e eficácia clínica.



Por que o CBD virou tão popular na medicina veterinária?

Segundo dados citados no estudo, o mercado pet de CBD tem previsão de crescimento acelerado, impulsionado principalmente por:

  • maior aceitação social da cannabis em diversos países

  • busca por alternativas “naturais”

  • percepção de que o CBD pode ser mais seguro que fármacos convencionais


Em pesquisas com tutores, a maioria relata que usa CBD em cães principalmente para:

  • osteoartrite e dor crônica

  • convulsões

  • câncer

  • ansiedade


E os efeitos mais relatados incluem:

  • redução da dor

  • melhora do sono

  • diminuição da ansiedade

  • menor frequência de crises convulsivas

 

CBD não é tudo igual: espectro completo, broad e isolado

O artigo reforça que os produtos disponíveis no mercado variam muito.

O CBD utilizado em suplementos veterinários geralmente vem do hemp (Cannabis sativa), com teor de THC abaixo de 0,3%.


E pode ser encontrado como:

  • Full spectrum: extrato menos processado, com diversos fitocanabinoides + terpenos

  • Broad spectrum: semelhante ao full, porém com THC removido

  • Isolado: CBD puro (>95%), sem outros compostos


Na prática, isso significa que dois produtos “com CBD” podem ter efeitos bem diferentes — e nem sempre isso está claro no rótulo.

 


E sobre eficácia? Onde o CBD parece ter melhor evidência?

A revisão conclui que existem áreas com evidência mais promissora — mas ainda incompleta.


1) Dor e osteoartrite

Os resultados são mistos.

Alguns estudos mostraram:

  • melhora de dor e mobilidade (relato do tutor)

  • benefício em associação com anti-inflamatórios

 

 2) Epilepsia idiopática

A evidência é mais interessante aqui.

Estudos clínicos controlados sugerem que o CBD pode reduzir:

  • frequência total de crises

  • número de dias com convulsões

Principalmente quando usado como adjuvante, junto aos anticonvulsivantes tradicionais


 3) Ansiedade e comportamento

Apesar de ser um dos usos mais populares entre tutores, o artigo mostra que a evidência clínica em cães ainda é fraca e inconsistente.


Alguns estudos não observaram melhora significativa, mesmo com doses consideradas moderadas. Além disso, a resposta parece seguir uma curva “em sino”: doses muito baixas ou muito altas podem não funcionar.


4) Câncer

Aqui o artigo é bem claro:

  • não existem estudos in vivo em cães e gatos mostrando ação antitumoral real

  • há apenas evidências em modelos experimentais (camundongos) e em linhagens celulares caninas

 


Conclusão

A revisão mostra que o CBD é uma ferramenta promissora na medicina veterinária, especialmente como terapia complementar em:

  • dor crônica e osteoartrite

  • epilepsia idiopática


Por outro lado, o artigo reforça que ainda faltam:

  • estudos maiores e mais controlados

  • padronização de produtos e doses

  • avaliação de segurança em uso prolongado

  • melhor regulamentação e controle de qualidade


Na prática, o CBD pode ser considerado dentro de um plano terapêutico integrativo, desde que utilizado com critério, acompanhamento e escolha cuidadosa do produto.


Assista ao vídeo abaixo para mais informações a respeito do estudo com Canabidiol:



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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Corsato Alvarenga I, Panickar KS, Hess H, McGrath S. Scientific Validation of Cannabidiol for Management of Dog and Cat Diseases. Annu Rev Anim Biosci. 2023 Feb 15;11:227-246. doi: 10.1146/annurev-animal-081122-070236. PMID: 36790884.

 


 

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